O DiaTipo Natal é um evento que ocorre anualmente na Faculdade Belas Artes e trata-se de um dia inteiro de palestras e reflexões sobre tipografia. Esse ano o foco do debate foi o ensino da tipografia. O período da manhã foi dedicado aos alunos de tipografia, profissionais que dividiram as experiências que tiveram em instituições no exterior. Essa parte veio bem a calhar porque já estou há um bom tempo tentando decidir onde fazer e o que fazer de pós-graduação… À tarde foi considerado o lado dos professores, como eles enxergam o ensino da disciplina, suas relações com os alunos e o que precisa mudar no ensino da tipografia em geral.
Começamos com Marina Chaccur, que fez o Master Type and Media na KABK, em Haia (Den Haag), Holanda. Ela contou como foi curso: carga horária extensiva, imersão total e grandes mestres. Eu acho que deve ser um experiência incrível, porém bastante exaustiva como a própria Marina ressaltou. Mais no blog dela.
Depois foi a vez de Francisco Martins mostrar sua viagem de 3 semanas à Suíça, com curso em Basel e muitas muitas fotos! Achei a viagem dele a mais divertida, veja o vídeo dele.
Ana Paula Megda nos contou como é o Mestrado em Tipografia na UBA, Buenos Aires, dando uma visão sobre a tipografia na América Latina, as peculiaridades dos idiomas português e espanhol na hora de desenvolver uma fonte completa que supra as necessidades dessas línguas. Legal é pensar que a Argentina é logo ali! E requer um investimento bem menor que qualquer instituição européia.
Para fechar a manhã, Crystian Cruz nos mostrou seus trabalhos e rotina de quando estava mestrando em Reading, Inglaterra.
Eu já tinha tido oportunidade de ver a Catherine Dixon na Semana de Arte da Abril, e desde já gostei da maneira como ela defende o texto, a informação, como sendo primordiais e anteriores à imagem do texto, a tipografia. Nessa palestra ela continua afirmando isso, defendendo que sim, é legal aprender lettering e tipografia de um jeito mais artístico, mas também é essencial saber comunicar e trabalhar com o texto em si. Gostar de letras é gostar de ler, de poesia e literatura à notícias e notas de rodapé.
Depois ouvimos as histórias completamente malucas de Sarah Stutz, uma brasileira tentando ensinar conceitos de design ocidental para chineses que mal sabiam falar inglês. Mas achei incrível o resultado que ela conseguiu fazendo um paralelo entre a escrita ideográfica chinesa e a poesia concreta, eu não estava acreditando que sairia algo bom daquela confusão de linguagens! Foi a palestra mais inusitada do dia.
A última palestra foi de Ken Barber, da House Industries. O trabalho do estúdio é fantástico e pudemos ver bastante do portfólio deles, mas faltou aquele algo a mais na apresentação, mostrar processos em vez de só trabalhos prontos. Mas foi uma palestra divertida, o Ken é super engraçado. Ele também mostrou o Photolettering, uma nova forma de vender fontes criada pelo estúdio, na qual você monta o lettering e compra apenas a palavra que vai precisar em vez da família inteira da fonte. É sensacional para criar logos e letterings display, usando fontes que não são usadas no dia-a-dia. Recebemos uma senha para testar o sistema gratuitamente e poder baixar o resultado final, mas qualquer um pode entrar lá e testar, e fazer uma assinatura se quiser.
Ufa! Estou quase tão cansada a essa altura do post quanto estava no final do evento! Tivemos um debate conduzido por Priscila Farias, de onde saiu a citação tipográfica do ano:
“What the hell is design if not THINKING?”, Catherine Dixon
Confira o debate e todo o restante do evento em video!
Extras
- O kit do evento estava recheado! Catálogo da House Industries, sketchbook da Dalton Maag, catálogo da fonte Ubuntu…
- Foi lançada a fonte Garoa Hacker Club, de Tony de Marco e Diego Maldonado, que pode ser baixada aqui.







